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domingo, 22 de fevereiro de 2015

AVALIAÇÃO PARA A APRENDIZAGEM - 2015



PROCESSO DE AVALIAÇÃO DA CRIANÇA

A avaliação da aprendizagem é competência da escola. Como previsto no art. 31 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei número 9.394/96), na Seção II, Da Educação Infantil, “a avaliação far-se-á mediante acompanhamento e registro do seu desenvolvimento, sem o objetivo de promoção, mesmo para o acesso ao ensino fundamental”. Portanto, tem como referência os objetivos estabelecidos no projeto pedagógico da instituição e não deve assumir finalidades seletivas e classificatórias. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil (Resolução CNE/CEB número 05/2009) explicitam que as creches e pré-escolas devem planejar formas de avaliação que contemplem o acompanhamento do trabalho pedagógico e a avaliação do desenvolvimento da criança.
Nesse sentido, as observações e registros devem ser contextualizados, isto é, tomando as crianças concretas, em suas histórias de vida, seus ambientes sociais e culturais e co-construtoras de um processo dinâmico e complexo de desenvolvimento pessoal e social. Variados devem ser os registros, tais como a escrita, a gravação de falas, diálogos, fotografias, vídeos, os trabalhos das crianças etc. As professoras anotam, por exemplo, o que observam, as impressões e ideias que têm sobre acontecimentos; descrevem o envolvimento das crianças nas atividades, as iniciativas, as interações entre as crianças etc.  E usam esses registros para refletir e tirar conclusões visando aperfeiçoar a prática pedagógica. 
Além disso, as crianças devem ser envolvidas na avaliação das atividades, bem como nos registros. São matéria desse registro tanto as ações das crianças como as da professora. O objetivo da avaliação é melhorar a forma de mediação do professor para que o processo de aprendizagem alcance níveis sempre mais elevados.
A avaliação será sempre da criança em relação a si mesma e não comparativamente com as outras crianças. O olhar que busca captar o desenvolvimento, as expressões, a construção do pensamento e do conhecimento (etc.) deve identificar, também, seus potenciais, interesses, necessidades, pois, esses elementos serão cruciais para a professora planejar atividades ajustadas ao momento que a criança vive.
Neste sentido, a documentação pedagógica nos auxilia a construir uma narrativa do nosso trabalho e dos impactos que produziu nas aprendizagens das crianças.

Considerações Iniciais sobre Avaliação PARA a Aprendizagem

Durante as formações que desenvolvemos na EMEI Guia Lopes pudemos constatar as concepções que envolvem os processos de avaliação das crianças através da análise técnica dos relatórios descritivos elaborados pelos professores. Descreveremos, a seguir, alguns equívocos que merecem atenção e serão discutidos nos momentos de encontro individual entre a gestão pedagógica e a equipe docente.
Assim como preconiza o Programa Mais Educação – Sistema de Gestão Pedagógica e a Avaliação para a Aprendizagem, “ A avalição formativa é contínua, oferece ao professor informações sobre o processo de ensino e aprendizagem, e tem a função de aprimorar ou redimensionar este processo, auxiliando o aluno a se desenvolver. Isto significa que o educando que apresentou desempenho abaixo do esperado, sinaliza ao professor a necessidade de retomar o assunto, talvez utilizando outros recursos.” Portanto é correto dizer que através dos relatórios descritivos sobre as crianças, é possível avaliar o trabalho do professor o que possibilita à gestão pedagógica da EMEI Guia Lopes, direcionar assertivamente, a formação de cada um de seus profissionais.
Acreditamos ser fundamenta transcrever um breve texto do referido documento elaborado pela Secretaria Municipal de Educação, a saber:

“ Por que avaliar ?
A finalidade ou objetivo da avalição, que precisa estar claro para o professor, é determinante em sua ação. Ao decidir avaliar, é necessário definir qual o fenômeno ou característica será avaliada. Ressalta-se que a finalidade básica da avaliação é : orientar a intervenção para a tomada de decisões educativas; a observação da evolução e do desenvolvimento dos educandos; o planejamento e intervenção; a modificação de determinadas situações, relações ou práticas educativas.

Para que avaliar?
Desta forma, ao planejar uma avalição, o educador precisa refletir sobre “que decisões tomar a partir dos resultados desta turma ?.spera-se, assim, evitar a utilização deste instrumento como um levantamento de dados que serão, apenas, digitados e disponibilizados a outros e, sim, utilizá-los como possibilidade de análise e proposta de avanço.

O que avaliar ?
Independente da função da avaliação ( formativa, somativa ou diagnóstica), não é possível, nem necessário avaliar tudo o que se ensina. É importante correposnder os objetivos específicos do professor ao que é solicitado e definir o que é prioritário.”

Diante desta breve introdução, passamos a descrever o que acontece em nossa escola quando o assunto envolve a prática pedagógica e a avaliação de nossos alunos.
Objetivos:
-          Garantir a aprendizagem das crianças matriculadas na EMEI Guia Lopes
-          Valorizar o trabalho dos professores e os avanços das crianças;
-          Conferir utilidade à documentação pedagógica produzida por crianças e professores
-          Conferir unidade e qualidade ao trabalho docente
Instrumentos:
1)      APOSTILA “PASSO A PASSO” – Cada aluno possui uma apostila que o acompanha durante o período de permanência nesta escola e é composta pelos relatórios descritivos e sua auto-avaliação. Os professores das turmas do Infantil II receberão os relatórios do ano anterior para que possam iniciar o ano conhecendo um pouco melhor seus alunos e já tendo base para observar possíveis avanços ou a permanência de algumas dificuldades.

2)    RELATÓRIOS DESCRITIVOS INDIVIDUAIS:


I – PERÍODO DE ADAPTAÇÃO
Relatório do período de adaptação elaborado em parceria entre as professoras do 1º turno e Intermediário e as professoras 2º turno e Intermediário.( o roteiro de observação será definido em tempo oportuno).

II – RELATÓRIO – 1º SEMESTRE


COMPOSIÇÃO DO RELATÓRIO PARA OS TURNOS:
PARTE 1 - Construção de um texto de caracterização do grupo classe através da análise das fichas de matrícula.
PARTE 2 – Construção de um texto que fale sobre o Projeto Coletivo da Escola
PARTE 3  - Construção de um texto que fale dos avanços e dificuldades da criança e o seu envolvimento com o projeto:
 a) envolvimento, participação, aprendizagens, falas, temas trabalhados que foram significativos para a criança, entre outros
b) Cada professor deverá falar sobre os espaços (ações permanentes) que constam em sua linha de tempo.
c) Os professores do 1º e 2º turnos deverão pontuar os avanços em relação à escrita, à leitura e ao conhecimento matemático.
d) O envolvimento da família deve ser objeto de registro (comparecimento às reuniões e convocações da escola), bem como o índice de faltas|mês que a criança apresenta.
COMPOSIÇÃO DA AUTOAVALIAÇÃO PARA O PERÍODO INTERMEDIÁRIO
Autoavaliação – 1º semestre – sob a responsabilidade dos professores do período intermediário (70 crianças). O instrumento é composto por várias questões que devem ser respondidas pela criança tendo o professor como escriba. A aplicação deste instrumento será objeto de estudo durante os horários coletivos de formação.
PARTE 1 - Construção de um texto que fale sobre o Projeto Coletivo da Escola( o mesmo texto para todos os alunos)
PARTE 2  - Autoavalição (entrevistas individuais com os alunos)

III – RELATÓRIOS – 2º SEMESTRE

COMPOSIÇÃO DOS RELATÓRIOS DESCRITIVOS - TURNOS
D) Relatório Descritivo 2º semestre – sob a responsabilidade dos professores do 1º e 2º turnos. (avanços e dificuldades das crianças em relação aos objetivos específicos definidos no semanário durante o 2º semestre). Após consulta a toda a produção infantil, aos registros feitos pelas professoras parceiras no Caderno de Observação, a análise crítica do Diário de Projeto, do olhar atento ao material fotográfico produzido, do contido no relatório de adaptação e da autoavaliação, este documento deverá priorizar o que de mais importante foi observado em cada criança. Não há roteiros de observação a serem seguidos, uma vez que as listas engessam o olhar e permitem categorizar as crianças de forma inadequada e não desejada. Um exemplo claro dos efeitos desses roteiros de observação, é a prática de construir textos para os ótimos alunos, para os bons e para os regulares, transformando os relatórios descritivos num documento de recorte e colagem de conceitos e preconceitos.
COMPOSIÇÃO DA AUTOAVALIAÇÃO PARA O PERÍODO INTERMEDIÁRIO
Autoavaliação – 2º semestre - sob a responsabilidade dos professores do período intermediário (70 crianças). Os roteiros para as entrevistas serão definidos oportunamente.
PARTE 1 - Construção de um texto que fale sobre o Projeto Coletivo da Escola durante o 2] semestre ( o mesmo texto para todos os alunos)
PARTE 2  - Autoavalição (entrevistas individuais)

Turnos|Professores responsáveis pela elaboração
Periodicidade
Início e fim
Entrega dos relatórios para o período intermediário
Entrega para análise da gestão
Todos os turnos (1º, 2º e Intermediário)
04-02
20-02
17-03-2015
Relatório descritivo – 1º semestre
1º e 2º turnos
04-02
---------
29-05-2015
Autoavalia
ção do 1º semestre
02-03
---------
29-05-2015
Relatório descritivo – 2º semestre
1º e 2º turnos
22-07
---------
30-10-2015
Autoavalição
2º semestre
22-07
---------
30-10-2015



A AVALIAÇÃO PARA A APRENDIZAGEM NA EMEI GUIA LOPES
ORIENTAÇÕES

Todos os relatórios elaborados pelos professores passam por uma análise criteriosa da Gestão Pedagógica antes de serem divulgados. Quando defendemos uma avaliação PARA a aprendizagem, incluímos a aprendizagem dos professores, da própria gestão pedagógica.  As intervenções nos relatórios se mostrou um instrumento valioso para a mudança das práticas e o alinhamento das concepções de infância.
Na tentativa de antecipar alguns equívocos durante a construção dos relatórios descritivos de nossos alunos, passamos a descrever alguns aspectos que estiveram presente durante os momentos de formação nos últimos anos. Após o detalhamento dessas correções de rumo, descreveremos algumas dicas que podem auxiliar o professor a analisar a sua própria escrita.
Para compor elementos para a autoavaliação e|ou  para a avaliação descritiva é levada em consideração a seguinte documentação pedagógica: portfólio individual do aluno, trabalhos coletivos e individuais, caderno de registro e observação, semanários, teias do conhecimento, portfólios virtuais do grupo.

O QUE DEVEMOS EVITAR NOS RELATÓRIOS

Os relatórios descritivos não deverão categorizar os estágios de desenvolvimento da criança no que se refere à escrita, à matemática e ao desenho. A classificação nesta ou naquela fase interessa única e exclusivamente ao professor.
As intervenções nas hipóteses de escrita e a escrita numérica deverão ocorrer em atividades de rotina e a sua sistematização deverá ser registrada no portfólio individual da criança com a devida contextualização.
Existem alguns vícios na escrita dos relatórios descritivos que precisamos evitar. A relação de itens a serem observados foi elaborada após o PEA/2012, 2013 e 2014 que priorizou a análise técnica de todos os relatórios produzidos pela equipe docente.
- os relatórios de avaliação não devem ser considerados como tendo um fim em si mesmo ou ainda como um registro do que a criança sabe ou não sabe fazer. Devem ser compreendidos como um instrumento em que o professor torna consciente o que ainda precisa ser feito para cada criança que compõe seu grupo de trabalho.
Outro fator fundamental é que a escrita deve ser cuidadosamente elaborada para que o leitor consiga compreender suas mensagens e encaminhamentos.
 Neste sentido a produção escrita do professor sobre seu aluno deve priorizar:
- os avanços conquistados, citando situações ou falas que os comprovem. Não basta descrever o avanço é preciso ilustrar o estágio anterior para comprovar que de fato houve desenvolvimento/evolução.
- as dificuldades citando situações e/ou falas da criança que exemplifiquem, ao leitor, o que se esta querendo dizer. Assim como nos avanços, é fundamental que o professor cite no relatório quais foram  suas intervenções para que a criança superasse suas dificuldades.
- encaminhamentos descrevendo o que será feito e sugestões para a família no sentido de cooperar com a escola na superação de dificuldades.
É comum, no meio docente, e pouco indicado infantilizar a fala e consequentemente a escrita para se fazer entender. O uso de diminutivos e superlativos não esclarece, necessariamente, a importância do que se quer comunicar. Do mesmo modo a utilização de adjetivos rotulam crianças que ainda estão em fase de desenvolvimento, sendo uma prática inaceitável, na medida em que nosso projeto combate todas as ações que classifiquem crianças e seu processo de aprendizagem ou comportamentos. Por outro lado, alguns especialistas utilizam-se de termos técnicos que nada querem dizer aos pais. Portanto, para evitarmos equívocos é necessário compartilharmos nossos registros e, desta forma, construir instrumentos que nos possibilite rever práticas e concretizar os reais objetivos da avaliação na Educação Infantil.
A Gestão Escolar será responsável pela formação dos profissionais através da leitura e intervenções em toda a documentação pedagógica prevista no Projeto Político Pedagógico da Unidade, bem como na sua prática pedagógica através de visitas a todos os espaços das linhas de tempo.

DICAS PARA A CONSTRUÇÃO DE RELATÓRIOS DESCRITIVOS


I - Para cada afirmação sobre a criança, deve corresponder uma descrição de situações observadas pelo professor que justifique sua avaliação.
Exemplo I
“ A criança prefere não emitir opiniões durante as rodas de conversa”.
Ao fazer afirmações concisas demais, podemos cometer erros seríssimos de avaliação.
Vejamos a diferença:
“Durante uma roda de conversa em que discutíamos sobre a gestação de Sofia, Rafaela preferiu não se colocar diante do grupo, mesmo sendo incentivada a expor seus conhecimentos”
Geralmente a criança que não gosta de se expor diante o grupo em uma roda, conversa com seus amigos em outras situações. É preciso ter em mente que crianças de 4 anos, na maioria das vezes, não estão acostumadas a serem ouvidas. A exposição, inicialmente, pode assustá-la. Diante disso, mesmo exemplificando a situação, é necessário que o leitor saiba se este comportamento é esperado ou não de crianças desta idade. Veja como ficaria a leitura desta mesma afirmação....
“Durante uma roda de conversa em que discutíamos sobre a gestação de Sofia, Rafaela preferiu não se colocar diante do grupo, mesmo sendo incentivada a expor seus conhecimentos. Consideramos esta recusa normal para crianças desta idade e a continuidade deste trabalho fará Rafaela adquirir mais confiança com o passar do tempo.  No entanto, durante as brincadeiras livres no parque, observamos que se comunica  com seus amigos, fazendo-se entender e expondo suas vontades. Outro dia, ---------, disse “ Andrea, vamos brincar de casinha no tanque?!”
Exemplo 2
“ A criança prefere não emitir opiniões durante as rodas de conversa”.
O peso de uma afirmação descontextualizada pode levar o leitor, leigo ou não, a duas observações:
PAIS – Minha filha tem problemas de relacionamento, é tímida, entre outras conclusões
GESTÃO – Será que a professora sabe tratar-se de uma atitude esperada de crianças desta idade? Será que ela realmente observou este comportamento, uma vez que não conseguiu contextualizar e apenas classificou um comportamento? Será que em todas as situações da rotina escolar a criança demonstra insegurança para falar?! Enfim, os questionamentos são inúmeros quando não explicamos, detalhadamente, o que queremos dizer e o que foi, de fato, observado.

II - Para cada afirmação sobre a criança, deve corresponder uma descrição do trabalho do professor diante da constatação.
É comum acharmos frases prontas que são recortadas e coladas em todos os relatórios. Esta antiga concepção de avaliação, revela-nos alguns conceitos que precisam ser reavaliados. Quando montamos textos para alunos sem problemas, com problemas e com muitos problemas, estamos desconsiderando a individualidade, a história de cada um deles. Negamos a possibilidade de que um mesmo comportamento possa ter raízes diferentes e, consequentemente, nossas intervenções serão ineficientes.
Exemplo 1
“Demonstrou estar bem adaptada à rotina escolar”.
Esta frase solta não significa nada para quem lê e muito menos possibilita um trabalho efetivo do professor.
A primeira coisa a se fazer é consultar as anotações em seu caderno de observação para lembrar-se de quem você esta falando. Temos certeza que nossas crianças apresentam habilidades e dificuldades em relação à rotina escolar.
Nossa sugestão é que você descreva qual a rotina do seu grupo e depois sinalize o que você considera “bem adaptada”.
O conceito de “bem adaptada” é subjetivo, assim como todos os adjetivos que aparecem, hoje, com menos frequência, nos relatórios.
Poderíamos perguntar, por exemplo: Estar bem adaptada, na concepção desse profissional é aquela criança que obedece? Se hoje vivemos a total falta de limites, duvidamos que alguma criança consiga cumprir com todos os combinados, por exemplo. Cada criança reage de forma diferente às exigências sociais e esta sua característica, tão peculiar,  é que deverá constar em seu relatório.
Vamos imaginar que o professor queira manter a frase genérica:
“A Rafaela demonstrou estar bem adaptada à rotina escolar.”
Deverá descrever o trabalho que foi desenvolvido para que isso fosse garantido, veja:
A Rafaela demonstrou estar bem adaptada à rotina escolar. Construímos, diariamente, uma lista com o grupo, contendo a previsão de várias atividades. Rafaela participa da sua elaboração e, sempre que possível, lembra ao grupo qual será o próximo momento.
Como a frase é genérica, fica difícil fazermos intervenções. Neste caso, entendemos que o professor avaliou se a criança conhecia e cumpria a rotina fixada pela linha de tempo, mas ficamos com dúvidas se era isso mesmo que ele queria dizer.

III - Para cada afirmação sobre a criança, você deverá refletir se a informação é importante para o desenvolvimento da criança.
Em caso afirmativo, descreva os motivos.
“A criança demonstra agressividade com seus colegas e professores”. Não basta descrever o comportamento, é preciso sinalizar as consequências destas atitudes para o desenvolvimento infantil.
Ao falarmos sobre comportamentos agressivos, por exemplo, é preciso sinalizar no relatório a conversa que deveria ter sido feito com os pais e se ela surtiu efeitos.
Sabemos que esses comportamentos revelam alguns indícios de como ocorre a convivência familiar.
Lembre-se: qualquer problema de comportamento deve ser discutido com a família para que conheçamos melhor a história de vida de nossos alunos, antes de classifica-los através dos relatórios.

IV – Evite adjetivos em seus relatórios e/ou julgamentos baseados no senso comum.
Geralmente utilizamos adjetivos que pouco dizem respeito ao processo de  ensino/aprendizagem. Assim como frases prontas, usamos adjetivos para sermos genéricos, não nos comprometermos e ao mesmo tempo deixarmos os leitores (pais) satisfeitos.
Quando rotulamos uma criança como sendo: alegre, delicada, carinhosa, tímida, prestativa, triste, estamos cometendo um grande equívoco. Primeiro porque definimos rótulos para crianças em desenvolvimento e em segundo porque falamos sobre características que não interferem na capacidade cognitiva de uma criança, essas sim, devem ser um dos focos dos relatórios individuais.
Esta forma de se dirigir às crianças configura uma concepção ultrapassada de relatório e reforça um relacionamento pouco profissional entre escola e criança.
Exemplo 1
 “A Rafaela é carinhosa e dedicada”.
Assim como em outros registros, cabem inúmeros questionamentos. Carinhosa com quem? Quando? Por quê? Como? E, finalmente, o que esta característica conta sobre a Rafaela? Para um leitor pode significar que ela não seja agressiva (outro adjetivo que não esclarece quem é a criança), para outros pode sinalizar que Rafaela possa ter atitudes manipuladoras em relação ao professor e seus colegas (o que não nos leva a lugar nenhum). Adjetivos não deixam claras as observações sobre a criança.
Substitua um adjetivo por uma descrição de situação/ ação.
Exemplo: Rafaela  se empenha/ dedica para  finalizar suas atividades e geralmente as realiza atendendo às solicitações das professoras, utilizando sua criatividade e  concentração para produzi-las. ( estou dizendo que ela é dedicada?). Mais uma vez, a intervenção fica difícil porque para fazê-la, consideramos que o “dedicada” diz respeito à realização  de atividades, mas pode não ser esta a intenção do professor)
Podemos perguntar, então: Por que ser carinhosa é uma característica importante para as crianças na educação infantil? Em que esta característica auxilia a construção do conhecimento?

V – Porque inserir falas infantis nos relatórios
Nós, na EMEI Guia Lopes chamamos a avaliação de “Relatório Individual”. Para que a descrição de atividades desenvolvidas pelas crianças tenha um caráter individual, a transcrição das falas garante a personalização do relatório. Além disso, dá credibilidade ao relatório, falando de uma determinada criança, e não de outra qualquer. Para garantirmos vínculos com as famílias, e contar com seu apoio para futuras ações que visem o desenvolvimento de nossas crianças, é preciso que se estabeleça uma relação de confiança com o professor. O fato do responsável pela criança reconhecer seu filho através de falas, situações e reações, é o primeiro passo!
Reconhecer seu filho nos relatórios dá, aos pais, a segurança de que a professora e a escola estão atentas aos seus avanços e dificuldades. Confiabilidade é a palavra!
Outro ponto fundamental que merece destaque é que as falas das crianças  conduzem os nossos projetos. Elas dão legitimidade e nos servem de roteiro para o trabalho pedagógico. Nesta perspectiva, é impensável que nos relatórios não seja possível, ao professor, transcrevê-las.
A ausência de frases e comentários infantis pode sinalizar uma postura do professor que não condiz com a pedagogia de projetos que adotamos.
Percebemos, em alguns casos, problemas em relação à transcrição das falas infantis:
- grande parte dos relatórios não contém as falas das crianças em diferentes situações;
- alguns professores transformam a fala da criança e inserem em seu texto, desvalorizando a citação da criança;
- em outros relatórios o professor não transcreve a fala tal como foi dita pela criança, o que entendemos ser um crivo desnecessário e já sinalizado.
- aparecem falas sem contextualização, apenas para incluí-las, uma vez que esta foi uma orientação da gestão.
A escuta atenta às crianças precisa ser incentivada pela gestão e o meio que encontramos para transformá-la em uma prática, é definida pelas seguintes ações:
1) O Caderno de Observação deverá estar com os professores nos momentos de brincadeiras livres ( parque e brinquedoteca) e outros;
2) Optamos por um caderno único para o registro das observações para que elas fossem compartilhadas entre as parceiras. De nada adianta cada professor anotar suas observações em cadernos próprios.
3)Um dos grandes motivos pelos quais as falas não foram transcritas nos relatórios se deve ao fato de que os professores não fizeram os registros de observação no período de adaptação.
4) Nos semanários, os professores deverão definir e registrar os nomes das crianças que serão observadas nos dias de parque e brinquedoteca.
Salientamos que iniciaremos a construção do relatório do primeiro semestre e os professores que fizeram menções do projeto didático terão dificuldade na sua construção.
Solicitamos que sejam retiradas explicações e atividades do projeto didático e guaradadas para a composição dos próximos relatórios. No relatório de adaptação deverá constar, apenas, os itens constantes no roteiro (comunicado interno).

VI - O relatório como ponto de partida para a reflexão das práticas pedagógicas do professor.
O que geralmente ocorre é que as redações dos relatórios, revelam as concepções de criança, educação, aprendizagem  e, em especial,  do papel do professor.
 Uma boa parte dos relatórios prende-se à descrição de comportamentos das crianças. A opção em descrever esse ou aquele comportamento já revela, em si, o julgamento do professor mesmo que não explícito e, comumente não o leva a uma reflexão de seu trabalho. Vamos ver como isso funciona no seguinte exemplo:
Exemplo 1
“ O Junior não consegue ficar sentado nas rodas de conversa  e  tem dificuldade em permanecer em fila.”
Fica claro para o leitor que a professora acredita que estes comportamentos são inadequados.
Alguns questionamentos:
1) Porque esses dois comportamentos foram colocados em uma única frase? A resposta, muito provavelmente será “ porque ambos tratam do desrespeito aos combinados”.
2) Os dois comportamentos agem da mesma forma em relação à aprendizagem do Junior?
3)  O comportamento de ficar sentado na roda de conversa é diferente de criança para criança. A inquietação, nesta fase, é esperada? Se é, porque julgar o comportamento como sendo inadequado?
2) Qual o objetivo de uma roda de conversa? A criança não consegue participar da roda por sua inquietação? Em todas as rodas o comportamento é o mesmo? Aqui, sim é preciso descrever no relatório.
Vejam como o sentido é outro quando dizemos:
“ O Junior tem dificuldade em se concentrar durante as rodas de conversa e este comportamento tem prejudicado sua interação com o grupo e com os assuntos relacionados ao projeto. Ao solicitarmos que expresse sua opinião sobre o tema que esta sendo discutido, normalmente suas respostas demonstram pouca coerência,  como no dia em que falávamos sobre a história XRTFDD e ele respondeu “ --------------------“.
Além disso, é preciso que o professor, ao fazer uma afirmação sobre o comportamento de uma ou mais crianças, reflita sobre alguns aspectos de sua prática, entre eles:
- Este comportamento de não ficar sentado na roda é só do Junior? Quantas crianças do meu grupo agem como ele?
- Quanto tempo da rotina eu dedico às rodas de conversa? Elas acontecem diariamente? Que  assuntos são tratados?
A resposta a esta reflexão pode e, em alguns casos, deve modificar a prática do professor.
Ao ficarmos presas à descrição do comportamento de uma criança diante da atividade proposta, imputamos a ela a responsabilidade da ineficiência ou ineficácia do que propomos, escamoteando nossa responsabilidade sobre tal comportamento. Há relatórios que deixam clara a forma de trabalho do professor, o que ele considera importante  e, em especial, o quanto precisa refletir sobre sua prática. Este fenômeno é chamado por alguns de “exorcismo de responsabilidade”, ou seja: não há evolução porque a criança não faz, não fala, não compreende, não participa, entre outras justificativas.

VII - Não citar nomes das crianças nos relatórios individuais
A citação de nomes de outras crianças nos relatórios individuais, no início das reflexões sobre este tema, garantia que o professor observava suas crianças. Era considerado como uma prova irrefutável de que ele estava atento.
Vejam qual a leitura que fazemos da seguinte frase:
“Junior adora brincar com o Fabricio e com João”.
1) Que importância essa relação de preferência tem para o desenvolvimento do Junior?
2) O professor, ao descrevê-la,  garante a qualidade do processo de socialização do Junior?
3) Qual é o real objetivo do professor ao inserir esta informação no relatório?
4) Se fôssemos nos aprofundar nessas relações para justificarmos porque Junior procura brincar com o Fabrício e com o João, cairíamos em outro erro, qual seja o de avaliar os amigos através do relatório do Junior.
Desta forma, o que é preciso constar no relatório é de que forma o Junior se relaciona com o grupo, citando, por exemplo:  que elegeu alguns amigos de sua preferência,  quais as situações em que brinca com um número reduzido de colegas,  se há dificuldade em brincar com novos parceiros, entre outras situações de convivência.

AÇÕES PARA LER OS SEUS RELATÓRIOS E/OU OS RELATÓRIOS DE SUA PARCEIRA

DICAS:
Após redigir seu relatório, sinalize todas as afirmações (avaliações) e faça a seguinte análise:

1) Há algum fato que comprove minha conclusão? Se não houver, retire suas observações ou descreva uma situação.
2) Minha observação foi feita em única oportunidade ou durante a realização de uma mesma atividade?  Se a resposta for positiva, observe a criança em outras situações antes de ser conclusiva.
3) Relendo minha escrita, percebi que registrei alguns julgamentos sobre a criança. Verifique se sua escrita relata fatos ou julga comportamentos. Muitas vezes os julgamentos não estão explícitos, mas levam os leitores a tirar suas próprias conclusões,  o que não é desejável.
4) Apontei uma dificuldade da criança. Verifique se você, após ter constatado a dificuldade, registrou o seu trabalho para que a criança a superasse. Se não houve nenhum investimento, invista primeiro para depois avaliar.

Releia, como leitor, os seus relatórios, perguntando-se:

1) Fiz uso repetitivo de expressões e palavras (adjetivos, advérbios, preposições e verbos).
2) Os parágrafos estão muito extensos, dificultando a compreensão de leitores pouco assíduos?         
3) Há contradições em meu texto? É comum isso acontecer quando não lemos, criticamente, nossos textos. No início, digo que esta tudo bem e depois, em outros parágrafos, falo que precisa melhorar ou que apresentou avanços.
4) Posso unir os parágrafos que falam sobre o mesmo assunto?
5) Após indicar que houve avanço sobre determinado aspecto, encontrei em parágrafos anteriores a sinalização da dificuldade?(isso é muito comum. Falo do avanço, mas não aponto como era o comportamento anterior)
6) Ao apontar avanços, eu os descrevi através de uma boa contextualização.
7)Existem falas da criança em meu relatório? Por que não?
8) Os aspectos que analisei na maioria dos outros relatórios, foram mencionados neste. Por quê?
9) Não fui capaz de fazer um relatório fidedigno da criança X. Por quê? O que preciso fazer para reunir subsídios?
10)Ao final da escrita, reli o relatório e grifei todas as minhas avaliações. As descrições das aprendizagens estão balanceadas entre avanços e dificuldades  e devidamente justificadas?


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Referências:
Programa Mais Educação São Paulo – Sistema de Gestão Pedagógica e a Avaliação para a Aprendizagem| Secreyaria Municipal de Educação – São Paulo: SME|DOT, 2014.






























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